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Maternidade e saúde: como o estilo de vida da mulher pode impactar a qualidade de vida de seus descendentes?

Maternidade e saúde: como o estilo de vida da mulher pode impactar a qualidade de vida de seus descendentes?

O Dia das Mães se aproxima e, juntamente com a data, surge a oportunidade de debater sobre um tema extremamente importante: como se dá a influência entre a saúde da progenitora e a qualidade de vida de seu descendente ao longo dos anos.

Como veremos a seguir, a saúde da mãe pode impactar nos mais diferentes sentidos o bem-estar do filho ao longo da vida. 

Por isso, é muito importante a compreensão de que os hábitos que adotamos no presente não impactam somente a nossa vida futura, mas também a vitalidade de nossos descendentes.

Para saber mais sobre o tema, siga a leitura.

Precisamos falar sobre as bactérias

Engana-se quem pensa que bactérias são elementos pejorativos em nossa sociedade.

Na verdade, estima-se que tenham aproximadamente 40 trilhões de bactérias habitando o nosso corpo, similar à quantidade de células do organismo.

As bactérias e vírus que um bebê herda de sua mãe desempenham um papel crucial na determinação da saúde da criança mais tarde na vida, de acordo com pesquisas que podem levar a novas intervenções para combater condições como obesidade e alergias.

É amplamente aceito que a comunidade de micróbios que vivem em nosso trato digestivo, conhecida como microbioma, desempenha um papel vital. Quando a composição dessa comunidade fica desequilibrada, doenças crônicas podem se desenvolver, afetando nosso metabolismo e a saúde geral.  

De acordo com a Dra. Collado, pesquisadora do projeto The Power of Maternal Microbes on Infant Health,  “um desequilíbrio nos micróbios durante os primeiros dias de vida tem um impacto no desenvolvimento do sistema imunológico, que tem um efeito potencial na saúde mais tarde na vida”.  Ela afirma que, até então, a pesquisa descobriu que uma dieta rica em frutas, vegetais, azeite, nozes e leguminosas é a mais adequada para a colonização do intestino infantil, reproduzindo efeitos positivos nos mais diversos sentidos ao longo da vida. 

Alimentação durante a gestação pode ter impacto a longo prazo na saúde da criança, sugere estudo

Outra pesquisa reforça a importância da alimentação saudável durante a gravidez.

As mães que apresentam uma dieta pouco saudável durante a gestação podem colocar seus filhos em risco de desenvolver problemas de saúde irreversíveis a longo prazo, incluindo obesidade, níveis elevados de açúcar no sangue, de acordo com uma nova pesquisa publicada no Science Daily

No estudo, os pesquisadores mostraram que a dieta da mãe tem um efeito que dura além da adolescência nos ratos, afetando a forma como seus corpos metabolizam os alimentos e sugerindo um impacto na saúde a longo prazo.

Os filhos das mães alimentadas com dietas de junk food tinham níveis elevados de triglicerídeos – conhecidos por aumentar o risco de desenvolver doenças cardíacas. Da mesma forma, a prole tinha níveis mais altos de glicose e insulina, o que aumenta a probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2.

De acordo com Dr. Bayol, responsável pelo estudo, “os seres humanos compartilham vários sistemas biológicos fundamentais com os ratos, então há boas razões para supor que os efeitos que vemos em ratos podem se repetir em humanos. Nossa pesquisa certamente está de acordo com estudos epidemiológicos que ligam o peso das crianças ao de seus pais”.

A ciência mostra que a atividade física durante a gestação traz benefícios a longo prazo

Exercícios físicos durante a gestação não são importantes apenas para a saúde das gestantes, mas também para o bem-estar das crianças ao longo da vida.

Um estudo recente realizado em roedores verificou que a atividade física e a alimentação das mulheres pode moldar a saúde dos filhos mesmo antes da gestação.

Os dados obtidos são extremamente relevantes: quando as mulheres se exercitam durante a gravidez, ela pode auxiliar o feto contra os efeitos prejudiciais herdados pelos maus hábitos alimentares da mãe e também do pai. 

O exercício materno durante a gravidez evitou uma série de mudanças “epigenéticas” que afetam o funcionamento dos genes da prole, descobriram os pesquisadores, bloqueando até mesmo os efeitos negativos da obesidade da mãe ou do pai sobre a prole. Os resultados, de acordo com os pesquisadores, fornecem a primeira evidência de que o exercício materno pode prevenir a transmissão de doenças metabólicas de pais para filhos.

Yan, um dos pesquisadores, explica que “a mensagem para levar para casa é que nunca é tarde demais para começar a se exercitar durante a gravidez. O exercício regular não só beneficiará a gestação e o parto, mas também a saúde do bebê a longo prazo”.

Saúde mental em pauta: como o bem-estar materno afeta a saúde de seus filhos

Muitos falamos sobre questões relacionadas à saúde intestinal, obesidade e outras doenças relacionadas ao sobrepeso. No entanto, não podemos deixar de citar a relevância da saúde mental das gestantes e da sua consequência para a qualidade de vida de seus filhos.

A depressão e a ansiedade de uma mãe desde a concepção até o primeiro ano de vida do bebê estão associadas a resultados negativos no desenvolvimento até a adolescência, de acordo com um estudo publicado na revista JAMA Pediatrics.

Uma mãe que experimenta depressão e ansiedade antes e depois do nascimento está moderadamente ligada aos déficits de linguagem, desenvolvimento cognitivo e motor de seu filho na infância.

Os participantes incluíram 195.751 pares de mãe-filho (a) saudáveis ​​de 191 estudos baseados no Reino Unido, Estados Unidos, Holanda, Austrália, Canadá e Noruega. 

Depressão e ansiedade no período perinatal tiveram associações pequenas a moderadas com déficits no desenvolvimento do comportamento socioemocional durante a adolescência, como problemas com colegas, falta de comportamentos pró-sociais, bem como o apego e desregulação emocional.

O que ocorre é que a ansiedade e a depressão durante a gravidez podem expor o feto a concentrações aumentadas de cortisol, levando a mudanças na função cerebral e reduzindo o fluxo de sangue, oxigênio e nutrientes, segundo o estudo citado. Por mais que mais estudos sejam necessários, os pesquisadores afirmam que a revisão sistemática traz um padrão bastante consistente para a ciência.

Como vimos, são diversos os impactos da qualidade de vida da mulher na saúde e longevidade de seus filhos. Que possamos sempre lembrar da importância dessas informações e estimular hábitos saudáveis ao longo de todas as fases da vida.